De que tens sede?

Inspirados pela tradição da Igreja e pelo carácter quaresmal da sexta-feira, propomos que este dia seja vivido como um dia de conversão. Um dia especial de oração e silêncio para a escuta interior, a contemplação e a relação pessoal com Cristo.

Esta celebração pode ser realizada diante do Santíssimo Sacramento.

  • Lugar: Igreja (ou Capela ou outro espaço adequado).
  • Elementos celebrativos: cruz, Palavra de Deus e Santíssimo exposto.
  • Frase da semana: De que tens sede?
  • Mensagem evangélica: Jesus encontra‑se connosco nas nossas sedes mais profundas: sentido, amor, felicidade.
  • Leitura Orante da Palavra: “A Samaritana – a Água-Viva” (Jo 4,5‑42)

Chegou, pois, a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto do terreno que Jacob tinha dado ao seu filho José. Ficava ali o poço de Jacob.

Então Jesus, cansado da caminhada, sentou-se, sem mais, na borda do poço. Era por volta do meio-dia.

Entretanto, chegou certa mulher samaritana para tirar água.

Disse-lhe Jesus: «Dá-me de beber.»

Os seus discípulos tinham ido à cidade comprar alimentos.

Disse-lhe então a samaritana:

«Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber a mim que sou samaritana?»

É que os judeus não se dão bem com os samaritanos.

Respondeu-lhe Jesus: «Se conhecesses o dom que Deus tem para dar e quem é que te diz: ‘dá-me de beber’,

tu é que lhe pedirias, e Ele havia de dar-te água viva!»

Disse-lhe a mulher: «Senhor, não tens sequer um balde e o poço é fundo…Onde consegues, então, a água viva?

Porventura és mais do que o nosso patriarca Jacob,

que nos deu este poço donde beberam ele, os seus filhos e os seus rebanhos?»

Replicou-lhe Jesus: «Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede;

mas, quem beber da água que Eu lhe der, nunca mais terá sede:

a água que Eu lhe der há de tornar-se nele em fonte de água que dá a vida eterna.»

Disse-lhe a mulher:

«Senhor, dá-me dessa água, para eu não ter sede, nem ter de vir cá tirá-la.»

Respondeu-lhe Jesus: «Vai, chama o teu marido e volta cá.»

A mulher retorquiu-lhe: «Eu não tenho marido.»

Declarou-lhe Jesus: «Disseste bem: ‘não tenho marido’,pois tiveste cinco e o que tens agora não é teu marido. Nisto falaste verdade.»

Disse-lhe a mulher: «Senhor, vejo que és um profeta! Os nossos antepassados adoraram a Deus neste monte,

e vós dizeis que o lugar onde se deve adorar está em Jerusalém.»

Jesus declarou-lhe:

«Mulher, acredita em mim: chegou a hora em que, nem neste monte, nem em Jerusalém, haveis de adorar o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. Mas chega a hora – e é já – em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são assim os adoradores que o Pai pretende. Deus é espírito; por isso, os que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade.»

Disse-lhe a mulher: «Eu sei que o Messias, que é chamado Cristo, está para vir. Quando vier, há de fazer-nos saber todas as coisas.»

Jesus respondeu-lhe: «Sou Eu, que estou a falar contigo.»

Nisto chegaram os seus discípulos e ficaram admirados de Ele estar a falar com uma mulher.

Mas nenhum perguntou: ‘Que procuras?’, ou: ‘De que estás a falar com ela?’

Então a mulher deixou o seu cântaro, foi à cidade e disse àquela gente:

«Eia! Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz! Não será Ele o Messias?»

Eles saíram da cidade e foram ter com Jesus.

Entretanto, os discípulos insistiam com Ele, dizendo: «Rabi, come.»

Mas Ele disse-lhes: «Eu tenho um alimento para comer, que vós não conheceis.»

Então os discípulos começaram a dizer entre si: «Será que alguém lhe trouxe de comer?»

Declarou-lhes Jesus:

«O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e consumar a sua obra.

Não dizeis vós: ‘Mais quatro meses e vem a ceifa’?

Pois Eu digo-vos: Levantai os olhos e vede os campos que estão doirados para a ceifa.

Já o ceifeiro recebe o seu salário e recolhe o fruto em ordem à vida eterna,

de modo que se alegram ao mesmo tempo aquele que semeia e o que ceifa.

Nisto, porém, é verdadeiro o ditado: ‘um é o que semeia e outro o que ceifa’.

Porque Eu enviei-vos a ceifar o que não trabalhastes;

outros se cansaram a trabalhar, e vós ficastes com o proveito da sua fadiga.»

Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram nele devido às palavras da mulher, que testemunhava: «Ele disse-me tudo o que eu fiz.»

Por isso, quando os samaritanos foram ter com Jesus, começaram a pedir-lhe que ficasse com eles. E ficou lá dois dias.

Então muitos mais acreditaram nele por causa da sua pregação, e diziam à mulher:

«Já não é pelas tuas palavras que acreditamos; nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é verdadeiramente o Salvador do mundo.»

Jesus chega cansado a Sicar e senta-Se junto ao poço de Jacob. É meio-dia… Uma mulher samaritana aproxima-se para tirar água. Jesus toma a iniciativa e pede-lhe: “Dá-me de beber.”

O diálogo aprofunda-se progressivamente: da água do poço à água-viva; da sede física à sede do coração; da história ferida daquela mulher ao reconhecimento de Jesus como Messias.

No final, a mulher deixa o cântaro, corre à cidade e torna-se testemunha. Muitos acreditam não apenas pelo que ouviram, mas porque encontraram Jesus.

Este encontro revela algo essencial: Jesus não tem medo das nossas sedes, nem das nossas contradições, nem das nossas histórias incompletas… eventualmente feridas…

Todos temos sede:

  • sede de sentido, quando a vida parece vazia ou confusa;
  • sede de amor, quando nos sentimos sós ou não reconhecidos;
  • sede de felicidade, quando nada parece bastar.

Como a samaritana, muitas vezes tentamos saciar a sede com “outras águas” — relações, sucessos, distrações – que aliviam por momentos, mas não transformam nem enchem de plenitude o coração.

Jesus encontra-Se connosco precisamente aí. Não acusa, não humilha… Revela a verdade, ainda que difícil de reconhecer, para libertar e oferece uma Água que se torna fonte interior.

A pergunta atravessa o texto e chega até nós, diante do Santíssimo Sacramento:
De que tens sede, hoje?

Senhor Jesus,

Tu conheces a minha sede,

mesmo aquela que não sei nomear.

Vejo-Te sentado junto ao poço da minha vida,

à espera, paciente,

disposto a encontrar-me e a revelar-me tal como sou.

Dá-me da Tua Água-viva.

Liberta-me das sedes que não saciam

e ensina-me a desejar o que permanece e plenifica.

Que a Tua presença cure o meu coração

e me conduza à verdadeira alegria

de Te ter como único Deus e Senhor.

Em silêncio, contempla Jesus junto ao poço…

Depois, contempla Jesus presente na Eucaristia.

Ele continua a dizer:

“Se conhecesses o dom de Deus…”

Permanece com esta certeza:

a Água-viva não é algo que se possui,

é Alguém que se acolhe.

Deixa que a tua sede se torne oração,

sem pressa, sem palavras…

Durante esta semana…:

  • identifica uma sede profunda que trazes no coração;
  • cria um espaço concreto para encontrar Jesus (oração, Palavra, adoração);
  • deixa um “cântaro” que já não te ajuda a viver plenamente.

Quem se deixa encontrar por Jesus

não guarda a água só para si:

a sua vida torna-se fonte para os outros.

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