Ao espelho

Os rapazes e as raparigas entre os 11 e os 14 anos são no nosso país uma multidão variada, barulhenta e simpática, à qual pertences certamente tu que estás a ler estas linhas. Seria maravilhoso fotografar um por um! Isto porém é apenas um sonho de olhos abertos, como aqueles que vós tendes com tanto agrado.
O que se poderá fazer para ajudar a conhecer-vos, a corrigir-vos, a melhorardes?
Passai em revista, com calma, os «tipos» apresentados neste livro por uma frase, como se fossem modelos preparados para um desfile de moda. Diante de cada um deles fechai os olhos e reflecti.
Reconheceis-vos naquele tipo ou naquela tipa? Sim?
Aprendei de cor o «Stop». Servir-vos-á para melhorardes.
Reconheceis naquele modelo um vosso amigo ou uma vossa amiga?
Lede bem o «Tackle» (contraste). Este oferecer-vos-á a inspiração para corrigir cordialmente um amigo, contrastando, como se fosses um seu valente advogado de defesa, um lado menos feliz do seu comportamento.

«Mas por que fico tão vermelha?»

A tipa em questão fica vermelha se alguém a atinge com o olhar. Se lhe pedem para falar, o seu rosto parece a lâmpada posterior do automóvel quando se carrega no travão. Atrapalha-se facilmente, fica calada e conforma-se com tudo. Envergonha-se de cumprimentar uma amiga e, se gosta de um rapaz, desespera e chora na solidão porque jamais terá coragem para lhe falar.
Ela sofre exageradamente de uma doença que ataca os pré-adolescentes como o sarampo ataca as crianças: a timidez. Uma enfermidade que também pode atacar os rapazes. 
Stop: Reagir! É esta a palavra de ordem. Encher-se de coragem e enfrentar alguma má figura.
É a única estratégia. Fazer todo o possível por estardes seguros daquilo que quereis dizer e fazer. Depois, lançar-se para a frente. Não há outro caminho!
«Entre o dizer e o fazer está no meio o mar!» dizes tu. Eu sei, mas Cristóvão Colombo atravessou-o! Também tu o podes fazer.Tackle: Os tímidos devem ser estimulados, mas com tacto. De outro modo, é pior a emenda que o soneto.
É preciso ter com eles muita paciência.
Nunca os ponhas e parte. «Dentro» têm escondidas qualidades maravilhosas: ajudai-os a tirar o invólucro.

«Se dizes branco, eu digo preto»

É característica do pré-adolescente dizer o contrário, mas o tipo (ou a tipa) em questão dá cabo dos nervos. Se os outros estão calados, ele fala.
Se todos querem jogar futebol, ele quer ficar sentado. Se os outros cantam, ele faz algazarra.
É o tipo que na escola recebe repreensões; no grupo faz suspirar a todos: «Esperemos que hoje não venha!»
Mas por que é que não decide ficar em casa? Não há nada a fazer: podem faltar todos, mas ele não. Se ficasse sozinho, de quem faria o contrário?
Stop: Chamam-te chato»? Disseram-te que iam para a praia e, pelo contrário, foram para a montanha, só para te despistar?
Já te deste conta que, quando chegas, os adultos elevam os olhos ao céu como para pedir um suplemento de paciência?
Faz um esforço para te controlares! Se não aplicas um pouco os travões, corres o risco de ficar só e certamente não gostarias.
Lembra-te: a paciência dos outros tem um limite.
Tackle: Não lhe sorrias; não o apoies; admoesta-o energicamente, mas não o abandones, porque não é mau. Às vezes não passa de um tímido disfarçado de descarado.
Muitas vezes é alguém que sofre de carências afectivas. Dá-lhe um pouco de importância, confiando-lhe alguma tarefa.

«Espero por ti lá fora!»

É aquele que, sendo muitas vezes mais alto e mais forte que os outros, tem o hábito de resolver os problemas com murros, ameaças e palavras agressivas. Parece querer confundir a vida real com o Far-West!
Se encontra (e encontra sempre!) quatro ou cinco colegas dispostos a ajudá-lo, torna-se numa verdadeira chaga. Utiliza quase sempre uma linguagem vulgar e violenta.
Stop: A força dos músculos serve muito bem para levantar pesos e para pouco mais.
A vida exige sobretudo capacidades que residem no coração e no cérebro: as verdadeiras forças do homem.
Tackle: O «Come espinafres» não deve ser apoiado nem ajudado, mas isolado. Não aceites os seus métodos e as suas provocações.
Não te deixes impressionar: a verdadeira força está na não violência.
Ele vem ter contigo? Diz-lhe as coisas claras: «ou mudas de sistema ou nunca mais contes comigo!»

«Como eu não há ninguém!»

É a rapariga, talvez um pouco mais desenvolvida que as suas amigas, que se dá conta de que é bonita porque os rapazes andam atrás dela e a arreliam.
É como uma «isca», isto é, o bichinho que se mete na ponta do anzol para apanhar os peixes.
Em casa é o orgulho da mãe e das tias: «Se continuas assim, daqui a alguns anos queremos que participes no concurso da miss Portugal!».
A sua beleza é «conformista», quer dizer, corresponde aos modelos de beleza utilizados no mundo do espectáculo.
A tipa olha com satisfeita comiseração as suas amigas mais «feias» e despreza arrogantemente os rapazes da sua idade em favor dos maiores. Assume muitas vezes comportamentos de ídolo que fazem morder de raiva as suas companheiras.
Stop: Atenção, menina!
A beleza que dura não se baseia unicamente no aspecto exterior mas num conjunto de factores: inteligência, sensibilide, estilo de vida, bons sentimentos… Estas coisas exigem empenho
e esforço; não basta o espelho.
Atenção, pois, a não te limitares a ser um belo manequim! Poderias ter desagradáveis surpresas.
Tackle: Ter inveja
dela? E porquê? Dizer no grupo que é uma estúpida? Todos pensariam que o dizes apenas por inveja. Faz-lhe descobrir quantas coisas «belas» pode fazer um pré-adolescente (estudo, desporto, vida de grupo, hobbies…) além do pavonear-se.

«Eu já há muito que o sabia!»

Tens a certeza que foste o primeiro a saber uma notícia? Não há nada a fazer! Ela chega e bloqueia-te: «Mas como? Só agora é que o sabes?»
Com ele ninguém ganha. Esta «flor» desponta mesmo entre os rapazes, mas cresce melhor no jardim das raparigas.
São as sabichonas e mexeriqueiras! Na escola está sempre com a mão levantada. Faz continuamente perguntas, mas não tem tempo para ouvir as respostas.
No grupo, é a primeira a tomar a palavra, mesmo se não percebeu de que é que se está a falar…
Não lhe escapa nenhum mexerico e não suporta saber menos que os outros.
Vê ao longe duas que cochicham? Avança como um foguete. Dizes-lhe que te dói muito a cabeça? Ela terá uma dor maior que a tua.
Stop: Se começas a ganhar a fama de mexeriqueira, estás perdida! Ai de ti se te encontram a falar mal de amigas, ou a revelar coisas que tinhas prometido manter em segredo!
Correrás o risco de te encontrares isolada e, devido à ardente necessidade de ter sempre um público à tua disposição, encontrar-te-ás com uma doença de fígado aos 14 anos.
Sei que é quase impossível para ti, mas experimenta pelo menos meia hora por dia a escutar, a calares-te, a reconheceres que não se pode chegar sempre em primeiro lugar.
Tackle: Tem muitas qualidades e já destes por isso. Mas, infelizmente, tem as suas manias e não irá mudar de um dia para o outro. A solução é ter um pico de paciência, aceitando-a tal como ela é. Mas faz com que ela perceba que a estimas não tanto por aquilo que ela diz, mas pelo que faz para tornar os outros felizes. Verás que pouco a pouco se acalmará.

«É ele que me faz rir!»

Na galeria dos pré-adolescentes mais típicos, este nunca falta.Criou-se finalmente um clima de silêncio para iniciar uma discussão? Ele desata a rir e nunca mais pára. Experimentas olhar para ele com um olhar severo e dizer-lhe: «Basta!»? Ele defende-se: «É o Carlos que me faz rir!»
Parece que conseguistes recuperar o clima de silêncio? À primeira palavra, começa a rir-se.
Ficas irritado e fazes-lhe ameaças? Ele continua a rir-se de uma forma tão imprevista que acaba por fazer rir a todos. Finalmente acalmou-se; começou-se a trabalhar bem; pedes-lhe que diga alguma coisa, para lhe demonstrares que não estás de mal com ele?
Diz um monossílabo e depois recomeça a rir-se…
Sentes vontade de o espremer como se faz com um pano molhado!
Stop: Está atento porque, se te começam a considerar o bobo da companhia, ser-te-á difícil que te tomem a sério.
Dá-te vontade de rir e tu não sabes bem porquê?
Experimenta concentrar-te naquilo que estás a fazer ou a dizer, sem olhares sempre ora para um lado ora para outro. Todos nós sabemos que muitas vezes és um tímido, mas os outros não o sabem e poderiam confundir-te com um aborrecido.
Queres mostrar que também existes? O riso fácil não é o único meio para evidenciares.
Tackle: Atenção: pode tratar-se de um tímido!
Quanto mais o apanhares de ponta mais ele se rirá para vencer o mal-estar.Quer pôr-se em evidência? Esforça-te por não te rires: calmar-se-á.

«Uffa, mas!!!»

Gozam com ela porque está sempre a estudar; depois perguntam-lhe como se resolve o problema.
Olham para ela de alto a baixo porque «parece ainda uma menina»; mas se não é ela a fazer tantas coisas, mais ninguém as faz. Riem-se nas costas dela porque é muito organizada e não diz palavras estúpidas, mas, ao mesmo tempo, necessitam das suas capacidades.
Lamentam-na porque não tem nenhum rapazinho a andar atrás dela, se há necessidade de uma amiga para escutar recorre-se a ela.
A nossa tipa (ou tipo) cansa-se e promete a si próprio que não ajudará a mais ninguém, mas sabe muito bem que não será capaz de dizer um não.
Stop: Procura não te deixares explorar, mas mantém-te tranquila: Por agora atormentam-te com as palavras e procuram-te com os factos. Em breve, tratar-te-ão melhor também com as palavras.
Tackle: Não te parece que és um pouco ingrato? Por que estás tão convencida que ela é ainda uma menina? É com atitudes de responsabilidade
e disponibilidade que alguém se manifesta adulto. Se ela é serviçal, admira-a e imita-a.

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