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A vida é feita das rotinas simples de cada dia mas também de ritos, de festas, de momentos especiais. E com a catequese sucede o mesmo. A caminhada na fé acontece todas as semanas nas reuniões, na Eucaristia com a comunidade, na educação à fé na família… mas também naquelas festas que dão forma à caminhada feita.

Fé e festas

A fé traz à vida um sabor extraordinário. E por isso deve ser festejada. Fazemos festa na catequese porque descobrimos, experimentamos, algo de belo e extraordinário que Deus nos
oferece. Estas festas que vamos tendo na catequese são sinal de um passo em frente na adesão a Jesus e à sua causa. Não são um truque para “comprar” a simpatia das crianças e das
famílias, oferecendo-lhes um rito social, umas fotografias e alimento para a vaidade.
Na história da Igreja, a ligação entre festas e catequese não é nada de novo. Nos últimos séculos, o baptismo e a comunhão tornaram-se festas litúrgicas e sociais de muito peso. Mas,
se voltarmos aos primeiros séculos da Igreja, encontramos, no período de preparação para a vida cristã, o hábito de entregar aos catecúmenos alguns textos que eles, mais adiante,
“devolvem” à comunidade, num sinal que aquilo que era texto em papel (ou papiro), agora é já vida vivida e transformada.
As festas na catequese são um ponto de chegada e um ponto de partida. Numa festa, solenizamos as aprendizagens e vivências dos catequizandos; mas ao dar-lhes relevância social
e litúrgica, reforçamos essas mesmas aprendizagens e vivências.

Aqui ficam algumas “marcas” de uma festa da catequese bem preparada e bem celebrada:
• Há adesão, por parte dos catequizandos, ao mistério de Deus;
• Os familiares mais próximos e os padrinhos estão presentes, motivados e identificados com a realidade que se celebra;
• A comunidade cristã sente-se envolvida e feliz;
• Os catequizandos sentem que a sua fé cresce e sentem-se mais integrados na Igreja.

Elas têm uma grande importância. Importância que lhes é dada pelos catequizandos, pelas famílias e pela paróquia.
Mas esta importância não resulta de serem um “termo” da catequese. Muitos catequizandos e pais vêem a catequese como um “apanhar pokemons”, como fazer colecção de festas. Onde
uns são mais empenhados e fazem as “festas todas” e outros, mais moderados, se contentam com uma ou outra (“assim já chega”). As festas fazem parte do itinerário de catequese e é daí
que vem a sua importância. É importante a festa do Pai-nosso.
Não porque as crianças recebem um diploma mas porque a festa assinala que a criança conhece o pai-nosso, conhece o estilo cristão de oração, tem gosto em rezar ao Pai como Jesus
fazia e nos ensinou. Não é um ponto de final; é um sinal de autonomia: daqui em diante já pode rezar como convém.

Festas para todos os gostos 
As “festas” não são todas iguais nem têm todas a mesma importância. Não é o mesmo ser crismado (sendo o crisma um sacramento que imprime carácter, só se faz uma vez na vida)
ou ser iniciado à Eucaristia ou à Reconciliação (que são sacramentos reiterativos). Toda a vida cristã é um constante diálogo entre a pessoa e Deus. Os sacramentos são um momento
especial desse diálogo em que Deus “fala” mais alto, em que Ele e o seu amor acontecem de forma especialmente densa na vida da pessoa. Outras festas, que não os sacramentos, dão mais espaço à palavra, à vida dos catequizandos. A profissão de fé é um gesto do pré-adolescente que publicamente se compromete com a fé.

Preparar as festas
Ao planificar o ano de catequese, deves dar a importância adequada às festas. O ano de catequese não é uma preparação para a festa, como se só a festa fosse importante e toda
a catequese fosse apenas um preâmbulo. Mas elas têm a sua importância; ter presente a festa que se celebra neste ano de catequese ajuda a dar unidade ao que se vai fazendo.

Aspectos práticos
É fundamental que todos os participantes (sacerdote, acólitos, coro, catequistas, crianças e pais) estejam por dentro da celebração. Devem conhecer o sentido da festa, saber quais
as leituras que vão ser usadas, quais os gestos e símbolos que vão ser usados, onde cada um se sentará…

Os pais
Os pais são um parceiro importante da catequese e, claro está, nas festas. Mas se não os “educarmos” corremos o risco de eles desvirtuarem a festa. Muitos pais não têm uma visão
integrada dos objectivos da catequese. Para muitos deles (não todos, felizmente), a catequese “é” a festa. E a festa “exterior”! É evidente que ao longo do ano, nas reuniões de pais e nos
encontros informais, os catequistas devem ir envolvendo os pais no projecto de catequese e fazer-lhes ver o sentido que as festas têm. Mas, perto da festa, faz sentido fazer uma reunião com os pais e explicar-lhes, ao pormenor, todos os momentos, os gestos e símbolos e respectivos significados. Esta reunião, para além dos aspectos práticos, pode (e deve) ser uma catequese de pais.

O espaço
O local onde decorre a festa deve estar bem preparado. Nesses dias, especialmente nas “comunhões”, há um grande afluxo de pessoas que normalmente não vêm à Igreja. Simplificando,
podemos calcular que cada criança traz em média mais quatro pessoas (entre os pais, tios, padrinhos, avós…). A igreja pode tornar-se pequena, desconfortável, o que retira dignidade
e beleza a um momento que deveria ser especial. Estas dificuldades levantam algumas questões que devem ser debatidas com inteligência: em que lugar fazer a celebração? A que horas?
É importante não reduzir estas festas a um acontecimento das famílias; são uma festa de toda a comunidade cristã.
Crianças nos bancos da frente e pais e padrinhos nos bancos logo a seguir. Não esquecer, nunca, as outras crianças da catequese; devem ter também o seu lugar (não esquecer que
também irão fazer ou então já celebraram essa festa e são, por isso, exemplo para os mais novos).

Fotos e fotógrafos

A importância atribuída às festas leva ao desejo de fazer delas memória através de vídeos e fotografias. Sem bom senso, aparece um batalhão de fotógrafos amadores e profissionais
que se coloca em todo o lado nos momentos mais inoportunos. Muitas paróquias combinam com os pais uma solução inteligente: contrata-se um fotógrafo profissional que tira as fotos e os vídeos. No final da celebração, cada família tira as fotos que entende.

As crianças
São elas o centro da festa. O importante é que elas vivam o conteúdo da festa, o salto de qualidade que acontece na sua vida de fé. Para isso é necessário um clima de serenidade.
Com facilidade, os catequistas ficam nervosos e “contagiam” os catequizandos com a sua excitação. É importante que os catequistas estejam serenos; que vivam estes momentos como
quem põe nas mãos de Deus o seu trabalho. 

Para terminar: As festas, com o seu carácter simbólico e ritual, são um momento importante do caminho de fé. Prepará-las com esmero, vivê-las com densidade espiritual, fazer delas fonte de vida renovada, são opções obrigatórias.

Artigo retirado do livro "Sou catequista, e agora?", Claudine Pinheiro / Rui Alberto

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