Sonho e realidade 6: Espíritos… no sótão

Era no tempo das vindimas.
Joãozinho foi passar alguns dias a uma aldeia chamada Capriglio, terra natal de sua mãe.

Margarida quis levar até lá o filho, proporcionando-lhe assim, o alegre divertimento de tomar parte na vindima.
À noite, reunida a família, trocavam-se impressões sobre o trabalho feito, falava-se das colheitas, ventilavam-se assuntos vários e, posta a mesa, reparavam, com uma ceia frugal, as forças perdidas durante o dia.
Num desses serões, a conversa recaiu sobre os espíritos e as «almas do outro mundo».
Alguém contou que, em tempos, se ouviam, no sótão rumores estranhos, inexplicáveis; uns, longos, outros, de pouca duração. Só o demónio seria capaz de alarmar e disturbar os tranquilos moradores daquela casa de campo.
Já não era a primeira vez que Joãozinho ouvia falar em tal assunto. Corajoso e destemido por natureza, discordou logo, dizendo:
—    Ora, ora! O demónio tem mais que fazer! Isso, natu¬ralmente, foi o vento, ou os ratos, ou qualquer outra coisa.
Eis senão quando — nem que fosse de propósito — ouviu-se no sótão um rumor surdo, como de objecto que se arrastava duma extremidade à outra.
Silêncio profundo. Com o olhar interrogavam-se uns aos outros:
—    Que será?
—    Anda, filho, saiamos daqui — dizia Margarida.
—    Não, mãezinha — respondia João —; eu fico. Quero saber do que se trata.
O barulho continuava e o misterioso movimento, conti¬nuando também, a intervalos, despertou mais a curiosidade de Joãozinho, que, acendendo uma lanterna e muito resol¬vido, disse:
—    Vamos lá ver o que é.
Começou a subir a escada de madeira, encostada ao alçapão do sótão, num canto da cozinha, e todos, armados de paus, e levando à cautela, mais duas candeias, alumiados pela lanterna que ia na frente, seguiram o exemplo de João e procuraram distrair o medo, falando em voz baixa.
Entrou primeiro João; os demais assomaram com a cabeça, e um ou dois mais valentes resolveram-se também a entrar. Sobre o soalho, um grande cabaz, movia-se. Gritos de espanto, gestos bruscos, descida apressada… estabele¬ciam a confusão, enquanto o enorme cabaz, como se fosse arrastado por alguma força misteriosa, se ia aproximando de João. O nosso herói, para poder observar melhor, passou a lanterna ao vizinho, mas este deixou-a cair, apagou-se a luz e tudo ficou às escuras. Decorridos breves instantes, reinou de novo o silêncio. Os espíritos, talvez assustados, emude¬ceram… Joãozinho pediu que lhe dessem outra luz, colocou-a em cima de um caixote, abaixou-se e, com ambas as mãos, dispôs-se a agarrar o cabaz.
A curiosidade pôde mais que o medo; e todos se aproximaram para ver, advertindo-se mutuamente:
—    Atenção! Cuidado! Não toques!
Sem dar ouvidos a tais recomendações, Joãozinho levantou o cabaz e este acto corajoso foi sublinhado por uma sonora gargalhada que desanuviou os ânimos e… fez desaparecer os espíritos: — Debaixo estava a galinha mais gorda do galinheiro!
Talvez entre os vimes do cabaz, encostado à parede, tivessem ficado alguns grãos de milho. A galinha quis aproveitá-los e, ao debicar, derrubou o cabaz, ficando assim prisioneira. Cansada daquela posição não muito cómoda e, sentindo talvez a vizinhança importuna de alguma ratazana, resolveu libertar-se do cabaz, produzindo aquele ruído mis-terioso, que se estendia dum ângulo ao outro.
Afinal, não havia espíritos… no sótão.

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