A apresentação do percurso “Ser Amigo de Jesus” (DF2), direcionado para crianças do 1.º ano escolar e integrado na coleção Emaús, mobilizou mais de 300 catequistas em direto de várias dioceses de todo o país.
A sessão de formação online foi orientada pelo P. Rui Alberto, sdb. O webinar focou-se em dar a conhecer a proposta pedagógica, a dinâmica familiar e os materiais deste novo percurso.
Para quem não teve oportunidade de assistir, fica aqui o resumo da formação.
Enquadramento: o primeiro degrau da Iniciação Cristã
O percurso insere-se no primeiro degrau do Itinerário de Educação e de Iniciação à Vida Cristã da Conferência Episcopal Portuguesa, dedicado ao Despertar da Fé. Como sublinhou o P. Rui Alberto::
- Lógica do Primeiro Anúncio: Este percurso foca-se no “acordar para a fé” e numa conversão inicial, e não numa abordagem teórica ou sistemática.
- Gosto em “Ser Amigo de Jesus”: O objetivo central é levar as crianças e as suas famílias a descobrirem a alegria e o gosto de serem amigas de Jesus.
- Triangulação Pedagógica: A catequese deixa de ser apenas uma relação entre catequistas e crianças para passar a ser um caminho conjunto que acolhe e envolve ativamente os pais e cuidadores.
Dinâmica de Funcionamento: Grupo e Família
A proposta pedagógica assenta numa rotina de colaboração com as famílias.
- Ritmo Quinzenal: Os encontros de grupo na paróquia ocorrem de 15 em 15 dias, alternando com atividades do “Tempo em Família” nas semanas intercalares.
- Tamanho do Grupo: Recomenda-se um grupo ideal de 8 a 12 crianças, acompanhadas pelos seus familiares e catequistas.
- Acolhimento Sem Imposição: A participação dos pais funciona por atração e acolhimento comunitário, garantindo-se que nenhuma criança se sinta excluída caso os seus familiares não possam comparecer
Materiais e Recursos Pedagógicos
Foram apresentados os materiais práticos desenvolvidos para apoiar catequistas e famílias:
- Guia do Catequista: Estruturado em duas secções fundamentais: a parte de formação pessoal e teológica (“Para o Catequista”) e a descrição das etapas do encontro (“Desenvolvimento”);
- Livro da Família: Apresenta um formato horizontal intuitivo para as crianças (centrado na imagem) e páginas verticais dirigidas aos adultos, onde a personagem “Coruja Rute” escreve cartas de reflexão aos pais;
- Pasta de Apoio com Cartazes: Em vez de vídeos passivos, optou-se por cartazes ilustrados pela Ir. Leonor, permitindo que o catequista narre as passagens bíblicas de forma interativa com as crianças;
- Música e Jogo: Recursos integrados (disponíveis também na Pen multimédia) para ajudar as crianças de 6 anos a abrirem o coração ao mistério através da arte e da vivência comunitária.
Estrutura do ano e Celebrações
O percurso organiza-se ao longo de 5 ciclos:
- Abertura ao Mistério;
- Advento/Natal;
- Igreja;
- Quaresma/Páscoa e
- Sinal da Cruz.
Estes cinco ciclos serão desenvolvidos em 17 encontros e duas celebrações comunitárias:
- Entrega da Bíblia às Famílias: Celebrada habitualmente no ciclo da Igreja
- Festa do Sinal da Cruz: Marca o encerramento do ano, onde as crianças manifestam o desejo de continuar o caminho de catequese (ou realizam o rito da Inscrição do Nome, caso não sejam batizadas)
Principais dúvidas esclarecidas
Antes do encerramento do webinar, houve tempo para o orientador da formação esclarecer as dúvidas apresentadas pelos catequistas através do chat.
Enquadramento do 1.º Ano e Primeira Comunhão: Esclareceu-se que o DF2 é focado no primeiro anúncio e que a Primeira Comunhão está prevista apenas para as idades que correspondem ao 3.º ou 4.º ano escolar, já no tempo seguinte, a saber, Iniciação à Vida Cristã (IVC).
Celebrações do Percurso: Explicou-se que já não há uma “Festa do Acolhimento” no início do ano; em vez disso, celebra-se a entrega da Bíblia às famílias no ciclo da Igreja (após o Natal) e a Festa do Sinal da Cruz no final do ano, como marca do compromisso em iniciar a catequese sistemática, no ano pastoral seguinte.
Desafios de Espaço, Tempo e Grupos Grandes: O P. Rui Alberto respondeu a catequistas preocupados com a gestão de tempo em encontros de 60 minutos e a falta de espaço para acolher os pais em grupos populosos. Recomendou a divisão flexível das tarefas, o trabalho em equipa com outros catequistas e a adaptação progressiva das instalações da paróquia.
Linguagem e Pedagogia da Palavra: Questionado sobre a adaptação da linguagem, sublinhou que a Palavra não deve ser “infantilizada”, mas sim comunicada de forma adequada à idade de 6 anos, recorrendo aos cartazes, ao jogo e às canções.
Dinâmica dos Encontros Conjuntos (Pais e Filhos): Confirmou que o Guia do Catequista orienta quando as atividades devem ser realizadas em conjunto e quando pais e crianças podem trabalhar em separado.