As bodas de Caná: para mastigar ao longo da semana

No 2º Domingo do tempo comum lemos o episódio das bodas de Caná.
Alvaro GInel e Mari Patxi Ayerra, no seu livro "A palavra do Domingo Ano C", dão boas pistas.

O texto da boda de Caná é usado normalmente como uma passagem mariana marcada pela obediência de Maria e pelo seu sentido feminino do pormenor e de observação de tudo o que a rodeia. Uma imprevidência dos noivos serve para que Nossa Senhora se aproxime do filho e o informe da situação de necessidade que estão a passar, isso mesmo antes de eles se aperceberem do problema. “Não têm vinho”, quer dizer que pode acabar a alegria, isto é, pode acabar a festa.
A liturgia deste domingo, depois das festas de Natal não é de todo uma celebração explicitamente mariana. É preciso enquadrar a passagem bíblica na continuação do Natal. Uma boda, uma festa, um banquete convertem-se num “lugar santo” onde Deus se revela, onde o Verbo acampado entre nós faz gestos e dá sinais da presença de Deus. Jesus é maior do que o templo de Jerusalém. Jesus é a manifestação de Deus. Jesus revela-se como novidade e alegria. Caná é a epifania de Deus actuando no seu enviado, Jesus.
Ninguém diga que Deus é triste. Podemos apresentar a Deus tristemente, e será esse o nosso pecado. Mas Deus não é triste. O primeiro sinal de Jesus é justamente “para que a alegria não esmoreça, para que a festa não se converta em desgosto”. Jesus traz alegria e festa à vida.
Faz o seu primeiro sinal numa boda, no momento em que um homem e uma mulher se juram uma aliança. Na festa da aliança entre dois seres humanos, Jesus manifesta a nova aliança entre Deus e os homens, que começa com Ele.

Os discípulos recebem uma boa lição: viver com Jesus nunca será motivo de tristeza nem de solidão. Pergunto-me como se terá divulgado no povo cristão a ideia de que Deus é triste e seguir Jesus é “um caminho de tristeza”. Talvez seja porque o mundo não entende que há uma alegria que brota do coração e se alimenta do encontro em intimidade… Talvez seja porque quando não há o verdadeiro encontro pessoal com Jesus o substituamos por imposições de normas frias, de acções que se convertem em tristeza porque não brotam da fonte onde está o manancial da alegria, que é o coração.
Maria deu a chave da alegria: “Fazei o que Ele vos disser”. Esta regra de oiro é válida para tratar com Jesus como o é para lidarmos uns com os outros. Também a alegria entre nós e a chama dependem de “obedecer”. Analisa a tua vida, a obediência que prestas a quem amas; analisa o que os pais dizem aos filhos… A desobediência é sempre portadora de “recortes” de planos traçados que não chegam a realização, como no paraíso terreal, como quando se diz aos filhos: “Se não obedeceis não há projectos que valham, ficais na vossa, ficais sem o futuro prometido”. “Fazei o que Ele vos disser” e tereis sempre futuro e uma alegria que ninguém vos tirará.

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