Lectio divina: 3º Domingo quaresma (ano C)

O Pe. Rocha Monteiro partilha connosco a Lectio divina para as leituras deste 3º Domingo da Quaresma.

 

São-nos oferecidas as leituras do terceiro domingo da quaresma. Têm dois centros: a figura de Moisés e a parábola da figueira. Nesta história da salvação tivemos no Domingo passado a figura de Abraão. Hoje temos Moisés, o grande líder que tirou o povo da escravatura do Egito e o levou até às portas da terra prometida. A parábola da figueira convida-nos a dar frutos, obras de misericórdia. É o chamamento livre e surpreendente do Pai neste Ano Jubilar. Para isso é preciso reconhecer a nossa pequenez, a nossa finitude, a nossa insuficiência. Sem estas atitudes o cristianismo arrisca-se a tornar-se um assunto de cabeceira.
No início da Eucaristia, cada domingo, somos convidados a confessar as nossas faltas. Que significa? É um encontro com a paciência do Deus de misericórdia. Não se trata duma procura de culpabilidade mas do cair nos braços do Pai. Trata-se de reconhecer a precariedade da vida, por vezes uma vida sem sabor, meia estéril, vivida, por vezes, num coração ressentido e amargurado, no drama silen¬cioso da infertilidade, na tragédia de uma vida sem sabor. Bom Domingo. Que seja uma bela experiência de conversão.
1. Introdução
Bem-vindos à mesa da Palavra. É uma Palavra muito bela, muito libertadora, um chamamento à conversão. Tem dois centros: a figura de Moisés e a parábola da figueira. Nesta história da salvação tivemos no Domingo passado a figura de Abraão.
Hoje temos Moisés, o grande líder que tirou o povo da escravatura do Egito e o levou até às portas da terra prometida. A parábola da figueira convida-nos a dar frutos, obras de misericórdia que nos tornam santos neste ano Jubilar da Misericórdia do Senhor.
2. Ex 3,1-8a.13-15
2.1. Texto
Naqueles dias, Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã.
Ao levar o rebanho para além do deserto, chegou ao monte de Deus, o Horeb. Apareceu-lhe então o Anjo do Senhor numa chama ardente, do meio de uma sarça. Moisés olhou para a sarça, que estava a arder, e viu que a sarça não se consumia. (…) Moisés disse a Deus: «Vou procurar os filhos de Israel e dizer-lhes: ‘O Deus de vossos pais enviou-me a vós’. Mas se me perguntarem qual é o seu nome, que hei de responder-lhes?» Disse Deus a Moisés: «Eu sou ‘Aquele que sou’».
2.2. Vocação de Moisés – relato da revelação do nome de Deus
Moisés age como uma criança curiosa e deslumbrada! A leitura inclui dois momentos.
O primeiro narra a aparição de Deus a Moisés na sarça-ardente. O segundo contém uma alusão à missão que Moisés recebe de Deus quando lhe revela o seu nome: «Eu sou “Aquele que sou”». Moisés tem oitenta anos. O deserto é o lugar da revelação de Deus, da sua aparição. É aí que Deus vai buscar Moisés para libertar o Seu povo.
3. Salmo 103
3.1 Oração de louvor e bênção
É um salmo cheio de ternura, cheio de amor, com profundos sentimentos maternais:
“O Senhor é clemente e cheio de compaixão”. “Ele perdoa todos os teus pecados e cura as tuas enfermidades… Salva da morte a tua vida e coroa-te de graça e misericórdia”. “Alguns autores já lhe chamaram o Te Deum do Antigo Testamento”. (D. António Couto)
4. 1Cor 10,1-6.10-12
4.1. Texto
Irmãos: Não quero que ignoreis que os nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, passaram todos através do mar e na nuvem e no mar, receberam todos os batismo de Moisés. (…) Esses factos aconteceram para nos servir de exemplo, a fim de não cobiçarmos o mal, como eles cobiçaram. Não murmureis, como alguns deles murmuraram, tendo perecido às mãos do Anjo exterminador. (…)
4.2 Cobiça e murmuração
Paulo recorda a história do povo de Israel e a necessidade de estarem atentos à necessidade de mudar de vida. Para viver com os olhos em Deus aponta para dois defeitos graves no seu comportamento: a cobiça e a murmuração.
5. Lc 13,1-9
5.1 Texto
Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam. Jesus respondeu-lhes: «Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo. (…) Jesus disse então a seguinte parábola: “Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha.
Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontros. Deves cortá-la. Porque há de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’ Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano».
5.2. Questão polémica
Na primeira parte Jesus faz ver ao seu auditório que as desgraças acontecidas não são castigo pelos pecados cometidos. Na segunda parte vemos a paciência de Deus e a sua infinita misericórdia enquanto espera por tempos novos na vida do homem. Jesus sabe que o seu auditório conhece bem os factos para melhor compreender o que Ele pretende dizer: livrai-vos duma vida de pecado e não queirais atribuir a sua existência a calamidades que acontecem.
Recordemos Santo Agostinho ou S. Francisco de Assis e a forma como descreviam o seu passado como pecadores. O primeiro pedia perdão a Deus por ter saído antes do tempo do ninho. O segundo deixava cair copiosas lágrimas ao recordar o seu passado naquela célebre sexta-feira santa onde sentiu o tempo em que não amou o “seu Senhor”.

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