Margarida Mateus é apaixonada por pessoas. Com vasta experiência no acompanhamento de organizações, decidiu centrar-se no casal e entregar-lhes um guia que os ajude a crescer como equipa. Desse compromisso nasceu o livro Manifesto ao Amor. Ao longo de 17 semanas, são desafiados a caminhar em conjunto mas, sobretudo, a escolher-se mutuamente.
Como se apresentaria a quem ainda não a conhece? Que percursos pessoais, familiares ou de fé sente que mais a moldaram enquanto pessoa e enquanto mulher crente?
Sou um ser crente, que gosta da simplicidade e de amor. Sou apaixonada por pessoas e por fazer acontecer. Sou mulher, esposa, mãe e formadora, profundamente apaixonada pela construção do “nós”. Já teremos todos e todas reparado que o “Nós” é a única conjugação onde ninguém está só? Segundo, sou casada há mais de três décadas, com o Jone (um rapaz de bom carácter e bom coração, com imensa paciência para mim, quase a chegar aos 60) e grande parte daquilo que escrevo nasce da vida real: da alegria, das crises ultrapassadas, das nossas cartas de amor, das conversas difíceis, dos serões de namoro, das reconciliações e das escolhas repetidas que fazem crescer uma relação.
Profissionalmente trabalho há muitos anos na área do desenvolvimento humano. Gosto sobretudo de temas como comunicação, crenças, Valores e liderança.
Acompanho pessoas, equipas e organizações a crescer, e essa experiência mostrou-me que as relações, sejam elas profissionais, familiares ou conjugais, vivem da mesma matéria-prima: consciência, congruência, responsabilidade e intenção. E de amor. Ou falta dele. Quando se trata de relações, é sempre o amor.
Mas, aquilo que mais me moldou foi a fé. Uma fé simples, vivida no quotidiano, nos pequenos gestos e nas decisões concretas. Acredito que Deus não é um acessório na vida de um casal: é fundamento. E é fundamental que o casal se encontre na sua dimensão espiritual.
Enfim, sou uma mulher que acredita que amar é uma escolha. E que acreditar é atitude em ação, ideia que tem claramente uma inspiração de S.Paulo.
O título do livro é forte: “Manifesto ao amor”. Por que escolheu esta palavra?
Escolhi a palavra “manifesto” porque um manifesto é uma declaração clara e intencional. Não é apenas um pensamento bonito: é uma posição.
Vivemos num tempo em que o amor é muitas vezes tratado como um sentimento passageiro. Eu quis afirmar que o amor conjugal é possível e que pode ser construído todos os dias.
Este livro não fala de um amor idealizado, mas de um amor vivido. Não é um conto de fadas, é um caminho.
Nasceu da minha experiência pessoal e também das muitas histórias de casais que fui encontrando ao longo da vida. Vi relações florescerem quando havia intenção e cuidado. E vi relações enfraquecerem quando se deixou de escolher.
Por isso senti que este livro podia ser uma espécie de declaração de esperança sobre o amor. Fiquei muito feliz quando a Salesianos Editora acolheu este projeto, porque partilha também esta visão de que o amor e a família continuam a ser um espaço essencial de crescimento humano e espiritual.
Ao longo do livro, o amor é apresentado como uma decisão diária. O que significa, na prática, “escolher amar todos os dias”?
A emoção é importante, mas não podemos ficar só pela emoção. A emoção, às vezes pode ser uma espécie de vento que aparece de rompão. A decisão, é raiz.
Quando o amor depende apenas do que sentimos, torna-se frágil, porque ninguém sente o mesmo todos os dias. Mas quando assenta numa decisão consciente, ganha profundidade.
Escolher amar todos os dias significa, muitas vezes, coisas simples: dialogar em vez de acumular silêncio, procurar compreender antes de reagir, cuidar mesmo quando estamos cansados, pedir desculpa e voltar a recomeçar.
Amar todos os dias é acordar e voltar a dizer, de forma consciente ou silenciosa: “Hoje escolho esta pessoa.” E com este SOL dentro, não há vento que leve o amor.
Escolher amar todos os dias significa dialogar em vez de acumular silêncio, compreender antes de reagir, cuidar mesmo quando estamos cansados.
A fé ocupa um lugar central nesta obra. De que forma é que a fé cristã atravessa todo o livro?
A fé atravessa o livro porque atravessa a minha vida! Não aparece como discurso moral, mas como presença. Acredito que quando Deus faz parte da história de um casal existe mais espaço para o perdão, para a humildade e para a esperança.
Na minha experiência, Deus é Aquele que sustenta quando os dois vacilam ao mesmo tempo. É também quem recorda que o amor não é apenas sentimento, é entrega, serviço e cuidado.
Quando um casal reza junto ou simplesmente coloca a sua vida nas mãos de Deus, abre-se um espaço interior que ajuda a atravessar muitos desafios. E a vida nem sempre é fácil. Se com Deus presente já é o que é, às vezes penso como será viver tudo isto sem Fé? Solidão, vazio ou algo mais escuro e ainda mais pesado? Não imagino.
Este livro propõe exercícios e desafios semanais. Por que sentiu necessidade de tornar este livro tão prático?
Porque o amor não se transforma apenas com a leitura, transforma-se com prática. É preciso ser vivido. Eu acredito que construir vivências conjuntas eleva a relação. Gera uma história conjunta. Às vezes vzes é preciso abrir caminhos por caminhos velhos, outras vezes desbravar mato… é construção prática. É vida a dois. Como diz o título de um livro do padre Vasco Pinto de Magalhães, “Não há Soluções, há Caminhos”, ou o de Dom José Tolentino Mendonça, “Para os caminhantes tudo é caminho”.
Vejo aqui, nesta ideia de percurso, de caminho, de jornada, um potencial que facilita vividos, dinâmica. Experiências. Vida a acontecer. Amor vivido e partilhado. Numa aprendizagem que se faz em percurso. Curioso que até a Quaresma é caminho, mesmo com convite à paragem. É travessia. E isso implica ação… não é? E, ao longo da minha experiência como formadora e mentora percebi que a mudança acontece quando as pessoas experimentam. Quando se permitem entrar em ação. Ousar coisas novas. Por isso, cada afirmação do livro é acompanhada de exercícios individuais e desafios para o casal.
Quis que os leitores não apenas refletissem, mas conversassem. Não apenas concordassem, mas experimentassem. O livro acaba por ser também um convite a parar, dialogar e cuidar da relação com mais intenção.
Acredita que este livro pode ser um sinal de esperança para casais em crise?
Acredito profundamente que sim.
Não escrevi um livro para casais perfeitos. Escrevi para casais reais: para os que estão cansados, para os que já não se escutam como antes, para os que sentem que a rotina abafou o encanto. Porém, querem ser felizes.
O livro pretende ajudá-los a questionar-se se “Este casamento aindá dá?” E se sim “Como?“.
A mensagem é simples: sim, ainda é possível. Enquanto houver um dos dois disposto a começar diferente, dá. Há caminho. O amor não desaparece de um dia para o outro; muitas vezes apenas precisa de voltar a ser cuidado. E para cuidar precisamos de deixar de andar distraídos tantas vezes, com tantos estímulos e focos, e metas e objetivos e “cenas”.
Que impacto gostaria que o livro “Manifesto ao amor” tivesse nos seus leitores? Se um casal fechasse o livro com uma única certeza, qual gostaria que fosse?
Gostaria que este livro despertasse a consciência e reacendesse conversas bonitas dentro dos casais. Primeiro dentro de cada pessoa do casal e depois dentro dos dois, enquanto um ”Nós” enriquecido.
Se um casal fechasse o livro com uma única certeza, gostaria que fosse esta: “O nosso amor vale mesmo a pena ser escolhido todos os dias.”
Porque o amor não é apenas aquilo que sentimos. É aquilo que decidimos construir.
Gratidão a todos os leitores e leitoras que ainda acreditam no amor. O Manifesto ao Amor é-lhes dedicado!
Porque o amor não é apenas aquilo que sentimos. É aquilo que decidimos construir.
Manifesto ao amor
Um guia de 17 semanas com exercícios e reflexões que ajudam o casal a fortalecer a comunicação, intimidade e a fé. Para que a vocação do amor seja vivida com propósito e como escolha diária.
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