Um guião de leitura orante da Palavra.
QUARTA SEMANA DA QUARESMA
Inspirados pela tradição da Igreja e pelo carácter quaresmal da sexta-feira, propomos que este dia seja vivido como um dia de conversão. Um dia especial de oração e silêncio para a escuta interior, a contemplação e a relação pessoal com Cristo.
Esta celebração pode ser realizada diante do Santíssimo Sacramento.
BREVES INDICAÇÕES
- Lugar: Igreja (ou Capela ou outro espaço adequado).
- Elementos celebrativos: cruz, Palavra de Deus e Santíssimo exposto.
- Frase da semana: O que precisas de ver…e ainda evitas?
- Mensagem evangélica: Jesus oferece luz, mas ver implica coragem e verdade.
- Leitura Orante da Palavra: O cego de nascença (Jo 9,1‑41)
Do Evangelho de S. João, 17,1-9
Ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença.
Os seus discípulos perguntaram-lhe, então:
«Rabi, quem foi que pecou para este homem ter nascido cego? Ele, ou os seus pais?»
Jesus respondeu: «Nem pecou ele, nem os seus pais, mas isto aconteceu para nele se manifestarem as obras de Deus. Temos de realizar as obras daquele que me enviou enquanto é dia. Vem aí a noite, em que ninguém pode atuar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.»
Dito isto, cuspiu no chão, fez lama com a saliva, ungiu-lhe os olhos com a lama e disse-lhe:
«Vai, lava-te na piscina de Siloé» – que quer dizer Enviado.
Ele foi, lavou-se e regressou a ver.
Então, os vizinhos e os que costumavam vê-lo antes a mendigar perguntavam:
«Não é este o que estava por aí sentado a pedir esmola?»
Uns diziam: «É ele mesmo!»
Outros afirmavam: «De modo nenhum. É outro parecido com ele.»
Ele, porém, respondia: «Sou eu mesmo!»
Então, perguntaram-lhe: «Como foi que os teus olhos se abriram?»
Ele respondeu:
«Esse homem, que se chama Jesus, fez lama, ungiu-me os olhos e disse-me: ‘Vai à piscina de Siloé e lava-te.’
Então eu fui, lavei-me e comecei a ver!»
Perguntaram-lhe: «Onde está Ele?»
Respondeu: «Não sei.»
Levaram aos fariseus o que fora cego.
O dia em que Jesus tinha feito lama e lhe abrira os olhos era sábado.
Os fariseus perguntaram-lhe, de novo, como tinha começado a ver.
Ele respondeu-lhes: «Pôs-me lama nos olhos, lavei-me e fiquei a ver.»
Diziam então alguns dos fariseus:
«Esse homem não vem de Deus, pois não guarda o sábado.» Outros, porém, replicavam: «Como pode um homem pecador realizar semelhantes sinais miraculosos?»
Havia, pois, divisão entre eles.
Perguntaram, então, novamente ao cego:
«E tu que dizes dele, por te ter aberto os olhos?»
Ele respondeu: «É um profeta!»
Ora os judeus não acreditaram que aquele homem tivesse sido cego e agora visse, até que chamaram os pais dele.
E perguntaram-lhes: «É este o vosso filho, que vós dizeis ter nascido cego? Então como é que agora vê?»
Os pais responderam: «Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego; mas não sabemos como é que agora vê, nem quem foi que o pôs a ver. Perguntai-lhe a ele. Já tem idade para falar de si.»
Os pais responderam assim por terem receio dos judeus, pois estes já tinham combinado expulsar da sinagoga
quem confessasse que Jesus era o Messias. Por isso é que os pais disseram: ‘Já tem idade, perguntai-lhe a ele’.
Chamaram, então, novamente o que fora cego, e disseram-lhe: «Dá glória a Deus! Quanto a nós, o que sabemos é que esse homem é um pecador!»
Ele, porém, respondeu: «Se é um pecador, não sei. Só sei uma coisa: que eu era cego e agora vejo.»
Eles insistiram: «O que é que Ele te fez? Como é que te pôs a ver?»
Respondeu-lhes: «Eu já vo-lo disse, e não me destes ouvidos. Porque desejais ouvi-lo outra vez? Será que também quereis fazer-vos seus discípulos?»
Então, injuriaram-no, dizendo-lhe: «Discípulo dele és tu! Nós somos discípulos de Moisés!
Sabemos que Deus falou a Moisés; mas, quanto a esse, não sabemos donde é!»
Replicou-lhes o homem:
«Ora isso é que é de espantar: que vós não saibais donde Ele é, e me tenha dado a vista! Sabemos que Deus não atende os pecadores, mas se alguém honrar a Deus e cumprir a sua vontade, Ele o atende. Jamais se ouviu dizer que alguém tenha dado a vista a um cego de nascença. Se este não viesse de Deus, não teria podido fazer nada.»
Responderam-lhe: «Tu nasceste coberto de pecados e dás-nos lições?»
E puseram-no fora. Jesus ouviu dizer que o tinham expulsado e, quando o encontrou, disse-lhe:
«Tu crês no Filho do Homem?»
Ele respondeu: «E quem é, Senhor, para eu crer nele?»
Disse-lhe Jesus: «Já o viste. É aquele que está a falar contigo.»
Então, exclamou: «Eu creio, Senhor!» E prostrou-se diante dele.
Jesus declarou: «Eu vim a este mundo para proceder a um juízo: de modo que os que não veem vejam, e os que veem fiquem cegos.»
Alguns fariseus que estavam com Ele ouviram isto e perguntaram-lhe:
«Porventura nós também somos cegos?»
Jesus respondeu-lhes:
«Se fôsseis cegos, não estaríeis em pecado; mas, como dizeis que vedes, o vosso pecado permanece.»
1. Lectio – O que diz o texto?
Jesus encontra um homem cego de nascença. Diante da pergunta sobre a culpa, Jesus muda o foco: não se trata de procurar culpados, mas de deixar que as obras de Deus se manifestem.
A cura acontece de forma simples e desconcertante. O homem começa a ver, mas o verdadeiro processo é interior: à medida que é interrogado cresce na verdade e na liberdade.
No final, encontra-se novamente com Jesus e reconhece-O como Senhor.
Paradoxalmente, aqueles que pensavam ver, tornam-se cegos, porque recusam a verdade que os interpela e desafia.
2. Meditatio – O que me diz o texto?
Este Evangelho confronta-nos com uma pergunta exigente: ver ou continuar a fechar os olhos?
Todos temos zonas de cegueira:
- medos que evitamos enfrentar;
- feridas que não queremos tocar;
- escolhas que sabemos precisar de mudança.
Jesus oferece luz, mas ver implica coragem:
coragem de deixar cair explicações fáceis e autoenganos,
coragem de assumir a verdade da própria história,
coragem de aceitar que a luz pode incomodar antes de libertar.
Como o cego curado, também nós somos chamados a um caminho:
do escuro à luz,
da dependência à liberdade,
do medo ao testemunho.
A pergunta ecoa diante do Santíssimo Sacramento:
O que precisas de ver… e que ainda evitas?
3. Oratio – O que digo a Deus?
Senhor Jesus,
há coisas na minha vida que prefiro não ver,
porque ver obriga-me a mudar.
Toca os meus olhos e o meu coração.
Liberta-me das cegueiras que me mantêm preso
e concede-me o Teu Espírito de sabedoria e fortaleza.
Mesmo que a luz me desinstale,
quero aprender a confiar em Ti,
porque só Tu conduzes à verdadeira liberdade.
4. Contemplatio – O que ressoa no silêncio do meu coração?
Em silêncio, contempla Jesus que Se aproxima do cego…
Depois, contempla Jesus presente no Santíssimo Sacramento.
Ele não força os olhos,
não impõe a Luz,
mas oferece-Se como luz do mundo.
Permanece nesta verdade simples:
ver não é apenas compreender,
é deixar-se transformar.
Escuta, no silêncio:
“Crês no Filho do Homem?”
5. Actio – O que me compromete?
Durante esta semana:
- identifica uma situação em que precisas de olhar com mais verdade;
- pede a graça de não fugir da luz;
- dá um pequeno passo concreto de mudança ou reconciliação.
Quem se deixa iluminar por Cristo
pode perder seguranças,
mas ganha uma vida nova:
a vida dos filhos de Deus!
Proposta da autoria do sacerdote Paulo Pinto, sdb. Esta celebração integra-se ITINERÁRIO QUARESMAL 2026 | “Encontro, Escuta e Conversão!” elaborada para os ambientes pastorais dos Salesianos Portugal.
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