Quando a Igreja diz não

«Por que é que a Igreja diz sempre não? Sobre o sexo, por exemplo. Sobre o sexo, sobretudo. Por exemplo, as relações pré-matrimoniais. Todos as admitem. Apenas a Igreja diz não. Que mal há em estarem juntos dois jovens que se amam verda­deiramente?».

A cafeteira a ferver

Quando uma criança, curiosa e atraída pelo ruído de uma cafeteira a ferver, quer tocar-lhe, a mãe segu­ra-a pela mão. Ela grita, barafusta, chora. E pensa: «Por que é que a mãe diz não?»
Sucede um pouco a mesma coisa em relação à Igreja. Actualmente, acerca dos problemas do sexo, a Igreja faz a figura da mãe má que proíbe e interdita, enquanto os outros são tão bons e compreensivos que permitem tudo.
E Jesus, que disse ter vindo para trazer-nos a ale­gria completa, aparece como um «senhor mau» a quem agrada tudo o que desagrada aos jovens, e vice-versa.

Mil vezes «não» não chegam para fazer um «sim»

Vistes como se difundiu recentemente entre as raparigas italianas a febre pelo jogo de voleibol. Como se verificou este fenómeno? Imaginai que os treinadores de voleibol começavam a fazer propa­ganda, contando tudo o que no jogo é proibido: «Não se deve tocar na rede, não se deve atirar a bola para fora das linhas, não se deve invadir o campo do adversário, não se pode pegar na bola, não se deve…» quantas jovens se entusiasmariam pelo voleibol? Pobres treinadores, iriam parar todos ao desemprego!
E sabeis o que é que combinaram estes espertos? Transmitiram, no principal canal de televisão, um «spot» no qual as jovens atletas voam como andorinhas e batem na bola com a força de um vendaval. Resultado: os ginásios estão cheios de meninas convencidas que conseguirão voar como as protagonistas do «spot» publicitário.
Os rapazes e as raparigas (mas também os pais e os cristãos adultos em geral) acerca da proposta cristã sobre o sexo conhecem, infelizmente, apenas o que não se deve fazer, e os «não» nunca dão qual­quer entusiasmo.
Isto é triste! A proposta cristã acerca do sexo, que conquistou pela sua beleza e pelo seu encanto os cidadãos do império romano, é percebida hoje como uma coisa retrógrada ou como uma tentativa cruel de roubar às pessoas as alegrias mais saborosas da vida.

Um amor tão grande!

Dois cristãos que, livremente, aceitam amar-se no Senhor, empenham-se em testemunhar, pelos caminhos do mundo, o amor de Deus que dura para sempre, que supera todas as provações, que nunca atraiçoa, que não abandona ninguém, mesmo que este tenha sido infiel. Um homem e uma mulher que se amam no Senhor, dizem a todos e sempre que o mundo nunca ficará sem amor, em poder do ódio, da violência, da vulgaridade, da exploração, da traição. Duas pessoas enamoradas no Senhor são um sinal de esperança, de coragem. Enquanto existirem um homem e uma mulher que se amam fielmente e para sempre, apesar de «todas» as dificuldades e motivos para se separarem, ninguém é autorizado a deses­perar e a acreditar que o amor é invisível.
Dão testemunho disto um homem e uma mulher que, diante da comunidade eclesial, prometem amar-se. Esta é a vocação de todos os que optam por amar-se em Cristo.
Um amor destes pode ser assumido verdadeira­mente por dois jovens de dezasseis anos? Dai vós a resposta.
«Mas custa muito?».
Mostrai-me uma coisa bela que não exija treino e esforço

Quem viver, verá!

Há poucos anos, nos inícios da «revolução sexual», muitos estavam convencidos que, em poucos anos de amor fácil, apressado, sem com­plexos e sem tabus, teríamos uma multidão de homens e mulheres sexualmente felizes e de famílias duradoiras e tranquilas. Pelo contrário… Os gabinetes dos sexólogos estão superlotados de insatisfeitos sexuais, e as famílias formadas por jovens que cres­ceram com o «sexo fácil» desfazem-se a um ritmo preocupante.
São já muitos a duvidarem e a julgar que «era melhor quando era pior!».
Como serão as coisas daqui a uns anos?
Vereis que a «velha Igreja» terá outra vez razão para puxar com força pela mão da «criança», que chorava e queria tocar na cafeteira quente…
Quem viver, verá! Entretanto, estarei atento não só a sentir a mão que segura, mas também o perigo da qual ela me quer salvar.

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