Quando a pressa faz das suas

«…o sucedido veio desorientar-me (uma colega de turma que ficou grávida) e fez nascer em mim a exigência de esclarecer um conjunto de coisas. Por exemplo, que pensais das relações pré-matrimoniais na minha idade (tenho 16 anos)? Que pensais das relações fora do casamento celebrado na igreja? Uma minha prima de 27 anos, que se diz cristã, vive com o seu namorado como se fossem marido e mulher. Diz que não se pode casar porque não tem ainda um emprego seguro, e ainda não conseguiram encontrar uma casa como desejariam. Como a hei-de julgar? Que acrescenta a cerimónia diante do padre, se os dois se amam verdadeiramente? Por que é que a Igreja tem uma ideia negativa acerca do sexo?».

As quatro janelas

Vamos tentar esclarecer as coisas, raciocinando sem preconceitos. Imaginemos que quatro jovens extraterrestres, que nunca viram a terra, chegam ao nosso planeta, directamente, dentro de uma habitação com quatro janelas. Os quatro colocam-se cada qual diante de uma janela e nunca mais saem dali.
O primeiro extraterrestre, da janela que dá para o Sul, vê um campo cheio de ervas daninhas, pedras, terra, arbustos, flores, tudo em desordem.
O segundo, da janela que dá para o Norte, vê um prado com erva bem cortada, poucas flores ordena­das em pequenos canteiros e algumas árvores de fruto suficientemente ordenadas.
O terceiro, da janela que dá para o Oeste, vê uma extensão de erva, flores, fruta, alguns lugares em desordem, noutros em bastante ordem.
O quarto, da janela que dá para o Leste, vê um jardim cheio de flores e fruta, cuidadíssimo e mara­vilhosamente ordenado.
Os quatro fazem uma ideia muito diferente da terra.

O sexo nasce do cérebro

Para se poder falar claramente acerca do sexo, é preciso saber que ideia de sexo se tem na cabeça: de qual janela se olha. Quem pensa que o sexo é apenas uma função fisiológica, como comer e beber, rejeitará toda a norma. Pegará em tudo aquilo que puder, com a única preocupação de fugir a algum contratempo. Actualmente a sociedade está cheia de pessoas que se comportam desta maneira: «A técnica permite-nos utilizar o sexo sem inconvenientes aborrecidos: porquê renunciar?».
Quem considera que o sexo é uma realidade importante da vida, mas não lhe reconhece qual­quer valor espiritual, limitar-se-á a evitar aqueles comportamentos que, pela idade, higiene, conveniência social, poderiam ser prejudiciais. Há tanta gente que pensa assim: o sexo, uma coisa séria e nada mais.
Outros olham para o sexo de modo estrábico: uma simples função fisiológica, mas também uma coisa algo mais importante: uma realidade cheia de mistério e de significados religiosos. Estes — entre os quais estão aqueles cristãos que se contentam com uma fé tradicional e pouco aprofundada — vivem «divididos»: não quereriam renunciar ao sexo «usa e deita fora» e lamentam-se porque a Igreja não o aceita. Intuem que o sexo, considerado apenas do ponto de vista humano não os pode satisfazer, e então querem casar-se pela Igreja.
Há os outros que, tendo chegado a uma visão «espiritualista» do sexo — através dele Deus fala e com ele se pode falar de Deus — aceitam uma visão que exige esforço mas que é exaltante. São aqueles que, depois de terem olhado a realidade pelas primeiras três janelas, optam por se colocarem diante de uma quarta: para cultivar flores e fruta é preciso cansaço, paciência, sacrifício, mas… depois vem a alegria.
Os cristãos acreditam que o rapaz e a rapa­riga, encontrando-se e tornando-se uma só coisa, tornam presente e manifestam o amor de Deus pela humanidade; um amor único, fiel, fecundo, que dura para sempre.
Quem aceita ver o sexo através desta janela, sabe que não pode ser vivido «de qualquer maneira», sem maturidade psicológica, sem uma séria preparação, sem garantias humanas e espirituais suficientes.
A Igreja não proíbe a ninguém as três primeiras janelas. Mas poderá ser culpada se escolhe a quarta? Há quem se contenta com ir à escola o tempo suficiente para aprender a escrever o nome. Mas poderá ser criticado aquele que quer conseguir o doutoramento?
Há quem se contenta com viver na planície. Mas pode contestar-se quem prefere subir às montanhas?
A visão cristã do sexo não é um ponto de partida, mas de chegada.

Mas o que é que a cerimónia acrescenta?

Que dizer à prima que considera importante a casa e o dinheiro, e não o casamento na Igreja? Se o matrimónio cristão fosse uma assinatura diante do padre, ela teria razão. Mas o matrimónio cristão consiste em aceitar fazer do próprio amor um sinal do amor de Deus. Portanto, a tua prima não está a fazer uma correcta avaliação: considera mais impor­tante o chapéu que a cabeça. Certamente que está mais à frente dos que nem sequer sabem distin­guir a cabeça do chapéu, mas faltam-lhe aqueles passos que a podem levar para junto da quarta janela. Paciência!
Talvez um dia compreenda que um amor pro­fundo, como o de Deus, é melhor que um aparta­mento ou um ordenado seguro.

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