Quando aos 16 anos se é mãe

«Uma minha colega de turma deixou de vir à escola: está em fase de gravidez avançada. Por uma minha amiga, soube que os pais, depois do inicial e terrível choque, convenceram-na a deixar nascer a criança, embora o «pai» (?) —parece que é um rapaz um ano mais velho que ela — tenha desaparecido. Ajudá-la-ão a cuidar da criança até ela terminar os estudos e se tornar autónoma. Este facto impres­sionou-me. Mas o que mais me chamou à atenção foram os comentários feitos pela turma. Houve quem dissesse mal dela e se riu, e também quem a lamen­tou duplamente: porque se deixou aldrabar e porque não abortou.
Houve quem visse o acontecimento com serie­dade, mas todos são do parecer que, nestes casos, o único remédio é o aborto.
Eu não tive a coragem de dizer a minha opinião, mas, dentro de mim, sinto uma grande alegria por aquela criança que irá nascer e também pela minha colega. Estarei enganada? Tudo isto me veio desorientar e fez nascer em mim a exigência de esclarecer um conjunto de coisas. Por exemplo, que pensais das relações pré-matrimoniais na…».
(A carta, por ser um pouco longa, continuará na próxima reflexão).

Às vezes o coração…

É sempre um pouco perigoso pôr o cérebro às ordens do coração, mas muitas vezes é precisamente o coração a conduzir o cérebro pelos melhores caminhos. Neste caso, de facto, julgo que a forma melhor de julgamento será a de ter uma grande simpatia por essa criança e essa jovem.
Simpatia não é cumplicidade ou aprovação tola, mas compreensão, disponibilidade para a ajuda, empenho em não julgar e não condenar.
Aquela criança recebeu a vida, o bem mais elevado e mais maravilhoso: como não congratu­lar-se com ela? Como não nos sentirmos felizes com a sua vinda ao nosso mundo? Como não fazer-lhe sentir a nossa solidariedade de viventes?
O cérebro humano deveria bastar para criar em nós estes sentimentos. Mas… queremos meter-nos também na pele de crentes? Se Deus lhe deu a vida, apesar dos pais não terem feito uma assinatura no Registo Civil e não terem dito o seu «sim» diante do padre na igreja, com que direito podemos nós negar a nossa simpatia e a nossa solidariedade?
Aquela criança deve ser considerada por todos como alguém que é bem-vindo: não poderia receber nada de maior e mais belo que a vida.

E a jovem?

Também a jovem merece a nossa simpatia e soli­dariedade. Por meio dela um ser humano poderá conhe­cer a alegria de um sorriso, a admiração de um gesto de bondade, a maravilha de uma amizade, o encanto de um acto de amor. Tudo coisas infinitamente belas, compa­radas com o nada. Experimentai pensar… Por um lado (do lado da vida): mesmo que seja um sorriso apenas, uma única carícia, um único momento de alegria.
Do outro lado (da parte da não-vida): o nada, o zero absoluto.
Existe uma diferença abismal!
A jovem, embora se queira iludir a questão, é uma colaboradora de Deus criador. Mas não foi precisamente uma colaboradora responsável e ajuizada!.
«É verdade! Mas desafio quem quer que seja a encontrar alguém ou alguma capaz de colaborar dignamente com Deus!».
«Mas podia fazer mais e melhor!».
«É verdade! Aquilo que não deu antes, poderá dá-lo agora. Com Deus há sempre hipóteses de recuperar».

Mas a criança…

Certamente que a criança não está na melhor situação: o pai onde se encontra?
Mas, precisamente por isto mesmo, ela precisa de se ver rodeada de uma grande simpatia e solidariedade. Assim conseguirá não sofrer muito por causa da sua inegável desvantagem.
Todos já tiveram ocasião de ver uma planta que nasceu no lugar mais impensável e que, apesar disso, cresce grande, forte, viçosa. Conheço jovens, crescidos em famílias muito regulares, imersos num oceano de dificuldades. E conheço jovens, crescidos em famílias desastrosas, que são, apesar disso, fortes e serenos. Se os pais da jovem, como felizmente sucedeu no vosso caso, estiverem próximos, se os amigos e as amigas — verdadeiros! — não os aban­donarem, mãe e filho terão uma vida como a de todos nós: com muitos sacrifícios, mas também com muitas alegrias.

Mas a Igreja…

O augúrio maior que se pode fazer à jovem é que, além da família e de alguns amigos, seja inserida numa comunidade cristã quente e verdadeira, capaz de fazer com que ela respire o amor e a simpatia de Deus para com ela e para com o bebé.
A missão da Igreja consiste em ser um sinal do amor de Deus para com os homens e as mulheres, sobretudo para com aqueles que a hipocrisia e a dureza de coração desejariam marginalizar. Foi o que Jesus ensinou!

Mas se depois…

Mas esta atitude benévola e compreensiva não corre o risco de estimular comportamentos irres­ponsáveis? De modo nenhum! Se se conseguisse difundir a maior estima possível pela vida, por toda a vida, certamente que cresceria automaticamente também o respeito pela sexualidade.

E o «pai»?

Notastes que não disse uma palavra acerca daquele a quem a carta chama pai entre aspas e com um ponto de interrogação? Julgais que esse jovem aprenderá a gerir a sua sexualidade de maneira responsável, enquanto não perceber como a vida é bela e importante? Não acredito.

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