Quando me sinto inútil

«Não posso mais! Sinto-me inútil, triste, vazia. Estou cansada de tudo. Já nem sei quem sou e o que quero ser.
Mas que estou eu a fazer aqui? Os amigos e as amigas parecem-me uns parvos e até uns estúpidos. Sei que não sou melhor que eles, mas às vezes parece-me que quase os odeio. Aborrece-me o modo como falam, como caminham, como se riem… E as amigas, com toda essa mania de se exibirem diante dos rapazes!
Na família, um desastre! Com o meu pai não consigo falar e com a minha mãe, todas as vezes que ela fala, fico irritada. Não sabe ser afectuosa comigo. Não diz outra coisa senão: «Não te faço faltar com nada!» Não sabe que uma rapariga como eu tem necessidade não só de dinheiro e de roupa, mas de afecto!».

De má lua

Tens dinheiro, tens roupa; não te falta nada. No grupo de jovens da tua idade comportas-te de modo alegre e despretensioso. E eis que, de improviso, aparecem as crises de desconforto. Crises verdadeiras que fazem sofrer.
São momentos de angústia, quase de parto, que extraem a adolescência da infância. Por volta dos doze, treze anos, cresceu-se em paz com a própria imagem criada, acariciada, admirada pelos pais, pelos adultos: «Que criança! Que simpática! Que tesouro!» Depois, de improviso, a menina (e o menino) sente esta imagem como estranha e começa a procurar uma «sua». Ontem, uma linda saia elegante; hoje, um par de jeans rasgados que suscitam a ira da mãe. Momentos de barulhenta alegria seguidos de solitária melancolia que convidam a perguntar: «Que tens? Estás doente?»
Tentativas fatigantes, mas inevitáveis para encon­trar uma imagem de si próprio, para conseguir um visual agradável aos próprios olhos e aos dos outros.
As crises desencadeiam-se por um olhar não benévolo, uma palavra pouco gentil, o con­fronto com um amigo. Vem então tudo ao de cima. Ponto e parágrafo! Tentar-se-á imitar o professor ou a professora que se estimam, a amiga que é um espanto, a actriz da série americana, o campeão desportivo.
Será preciso tempo para perceber que a pro­cura deve partir de dentro: do próprio corpo, do próprio carácter, da própria inteligência e sensi­bilidade.

O bater das asas…

Uma jovem de 15 anos, sem amigos, é como uma borboleta sem asas. Mas, no meio dos amigos, é uma borboleta que bate contra uma lâmpada acesa.
Sabe que está a representar, que não é verda­deira e faz coisas que não sente. Enquanto se trata de si própria… passa! Mas ai se vê as mesmas ati­tudes nos outros! Aborrece-te neles o que te aborrece dentro de ti próprio. E talvez não penses que também os teus amigos andam à procura da própria imagem, como tu.
Mantém-te forte, porque estou para te dizer uma outra coisa maliciosa quando consegues estar no centro das atenções, então os teus amigos são «bestiais». Logo que te põem de parte, são uns patifes. E olha lá! Quando tens vontade de bater nas tuas amigas, não será simplesmente porque tens a impressão que elas são mais apreciadas que tu? Chegou a hora de tomares consciência que não podes estar sempre em primeira página.
É necessário, porém, resistir à tentação do isolamento, porque o grupo permanece um lugar insubstituível para aprender, com dureza pro­porcionada às próprias forças juvenis, o jogo da vida.
Outra complicação: a escolha do grupo adequado para o cultivo de sementes de crescimento. Nem sempre o «grupo bar» ou o «grupo discoteca» representam as escolhas mais inteligentes.

O peso dos 15

Nos momentos de crise, o adolescente tem sau­dades, sem o confessar sequer a si próprio, de uma família «quente e carinhosa». E as exigências de novo nem sempre combinam.
A «mulherzinha» e o «homenzinho» rejeitam um afecto demasiado materno: «Já não somos crian­ças!». Mas, se os pais tentam responsabilizá-los, talvez nem sempre da melhor maneira («Tu tens tudo, que queres mais? Não deixamos que te falte nada. Que procuras? No nosso tempo…») então os «já não somos crianças» reagem imediatamente.
Choverá mas não será o dilúvio. Com algumas portas batidas com força por uma parte, e com alguns maus fígados por outra, os pais descobrirão que o miúdo cresceu, e o adolescente intuirá que chegou para ele o momento não só de receber, mas de dar.
Com o verbo DAR as crises começarão a acal­mar-se.

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