Quando o divertimento se torna paródia

«Tenho dezasseis anos, sinto-me bem na minha família, estudo com empenho e resultados discretos, gosto de estar com os da minha idade, colaboro na minha paróquia ajudando os mais novos. Em suma: os meus dias decorrem suficientemente cheios e serenos.
Então, qual é o problema? Alguns meus amigos e amigas, que têm sempre na boca a frase: «Sou um jovem e quero divertir-me!», olham para mim como se fosse uma ave rara. Não entendi ainda se o fazem porque levo os estudos a sério, ou porque me empenho na paróquia, não frequento a discoteca, não ando todo o dia atrás de raparigas.
Algumas vezes interrogo-me se sou normal ou anormal. E se fossem eles os anormais? Vejo-os sempre tão ansiosos, enquanto que eu, tudo somado, sinto-me bem.
Mas que significa que um é jovem e se deve divertir?».

É verdade. Esta afirmação: «Sou jovem e quero divertir-me!» já a ouvi milhares de vezes também e sobretudo da boca daqueles que, apesar de o tentarem desesperadamente, não conseguem divertir-se.
Como explicar este estranho fenómeno? Depois de muito pensar, cheguei a certas conclusões que irei tentar expor do modo mais simples e esquemático possível.

O que é o divertimento

O vocabulário define o divertimento do seguinte modo: «Tudo aquilo que pode servir para elevar o ânimo das tarefas quotidianas, do cansaço do tra­balho, das preocupações».
Se o divertimento é isto, e eu acredito precisa­mente que é isto, está explicada a tormentosa questão: por que é que os jovens não se conseguem divertir? Muito simples: porque não têm tarefas quotidianas, cansaço do trabalho, preocupações.
E eis diante de todos nós a imensa fileira daqueles que dizem: «Não sabemos que fazer!»; «Nesta cidade não há nada para nos divertirmos!»; «Aqui uma pessoa morre de tédio!»; «Com tão pouco dinheiro, como faço eu para me divertir?» E assim sucessivamente.
Do outro lado da rua está uma outra grande fileira — é a maior, apesar das aparências, — daqueles que não sentem toda esta mania do divertimento, pelo simples motivo que se divertem sem terem de ir para muito longe.
Como estiveram agarrados aos livros a estudar, basta-lhes sair a dar um passeio e já têm a sensação de tocar no céu com um dedo.
Como têm muito em conta os problemas da própria formação, da família, do bairro, da paróquia, basta-lhes encontrar o sorriso de um amigo e já se sentem aliviados.
Como tomam tudo a sério: as relações consigo próprios, com as outras pessoas, com o ambiente, com a vida; em suma, bastam-lhe quatro gargalhadas, uma rápida visita ao bar, um amigo com uma anedota para contar, e estão já prontos para recomeçar de novo.
Quem enfrenta o cansaço de uma subida à montanha, conta durante várias semanas quanto saboreou aquele pedaço de pão acompanhado dum gole de água fresca.
Quem passa de uma lauta refeição para outra, acaba por saborear apenas as pastilhas que servem para lhe tirar a acidez do estômago.

A paródia

E agora chegamos a uma outra consideração muito importante: o divertimento não é algo que se vai comprar, mas uma acção da pessoa. Quer dizer que cada um de nós tem dentro de si a capacidade de se «divertir», de fazer algo de diferente para vencer o cansaço, para se distrair das preocupações.
Se uma pessoa renuncia a estas capacidades, terá muito que sofrer. Tudo aquilo que lhe oferece a sociedade de consumo como divertimento, acaba por se tornar simplesmente algo de cansativo, de pesado, de fonte de preocupações.
E temos então os bandos de desesperados do divertimento: às 16 procuram um divertimento para «se divertir» do divertimento das 14. Às 18 cansam-se para encontrar um divertimento que os alivie das 16. Às 20 não podem passar sem um «divertimento» que lhes faça esquecer o aborreci­mento do das 18. Às 5 da manhã estão ainda à procura de um divertimento «que o divirta a sério». E, entretanto, pensam com ânsia no sábado e no domingo: «Então nos divertiremos à grande!» À segunda-feira estão de tal modo esgotados, que não lhes apetece fazer nada.
É a este ponto que olham para o colega de carteira, que está calmo e tranquilo sem «ânsia de divertimento» às costas, e sentenciam: «Sou jovem e tenho direito a divertir-me».
Parece-vos exagerado o que estou a dizer? Ponde-vos no papel de detective privado, ide atrás de algum vosso amigo atingido pela «ânsia de se divertir» e controlai.
E se fôsseis vós a sofrer esta ânsia?
Julgo que, nesse caso, saberíeis encontrar por vossa conta o remédio mais apropriado.

 

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