Quando o meu amigo se droga

«Encontrei um jovem maravilhoso e, depois de um período de amizade, ficámos enamorados. Agora descobri que ele frequenta um ambiente onde circula a droga. Jura que não tem absolutamente nada que ver com o assunto, mas admite que já tomou droga algumas vezes, por curiosidade.
Algumas minhas amigas mais velhas aconse­lharam-me que o deixasse. Mas a mim não me parece justo: talvez ele necessite precisamente do meu afecto para se desligar desses ambientes. Que devo fazer?
É óbvio que não posso falar com os meus pais, porque nada sabem do rapaz.
Uff a!!! Mas por que é que tantos jovens se drogam?».

Um denominador comum

Comecemos pela pergunta final: porquê a droga? Não existe uma resposta válida para todos. Pra­ticamente cada jovem que recorre à droga é um caso diferente e tem motivações próprias. Parece contudo que se pode falar de um «denominador comum»: carências afectivas mais ou menos graves; necessi­tados de amor.
O «jejum de afecto» e a falta de «carinho» traduzem-se em:
insegurança,
medo de enfrentar obstáculos e dificuldades,
atitudes ousadas e pouco responsáveis,
curiosidades perigosas e irreflectidas,
descontentamento pela vida real,
ilusão de se sentirem vivos, correndo ansiosamente atrás de tudo o que «está na moda»
e que permite diferenciar-se dos outros,
facilidade em se ligar de mãos e pés a grupos que dão a sensação de não estarmos sós e de
sermos «alguém».
Entre estes estados de ânimo e a droga existe a mesma relação que há entre um fósforo e a palha seca.
Naturalmente que para acender a palha não basta que a palha e o fósforo estejam perto: é preciso fazer o contacto. É esta a razão porque não é fácil dizer porque é que um jovem se droga. Muitos que, pela situação em que se encontram, se deveriam drogar; não o fazem. E outros, que não o deviam fazer, caem nela como pássaros numa armadilha.
Conheço jovens com situações familiares de tal maneira desastrosas, que deveriam andar metidos na droga até aos cabelos. Mas, pelo contrário, não, e isto é muito importante! Criou-se, de facto, uma menta­lidade segundo a qual, se um jovem tem uma mãe menos bonita que a miss Portugal, uma casa menos ampla que as das telenovelas, os cabelos que não se prestam aos penteados da última moda, «deve dro­gar-se». Ou, pelo menos, se se droga deve ser descul­pado, porque a culpa não é sua, mas da sociedade.Esta mentalidade é extremamente perigosa e tem feito muitas vítimas.

O sorriso e a perna partida

Entremos agora no problema concreto: se o meu namorado anda metido na droga posso sal­vá-lo com o meu amor? Nada de mais comovedor, mas nada de mais errado! Desta vez as tuas amigas viram claro.
Ao jovem que brinca com a droga, a jovem enamorada deve demonstrar mais afecto apenas de uma maneira: dizendo-lhe muito claramente: «Meu caro, meu amor, se não deixas imediatamente, a partir de agora, de brincar com a droga e de fre­quentar esses ambientes, lamento muito mas não te quero mais ver na minha frente».
Naturalmente que a mesma música vale também para o namorado que se confronta com a namorada metida em sarilhos, mas parece que esta situação é menos comum!
Ouço os protestos de todas as jovens enamo­radas: «Mas isto é uma crueldade! Onde está o amor cristão?» Meus caros, se eu me encontro com alguém que, num acidente, partiu as pernas, é irracional que eu me dispense de chamar a ambulância. E se ao lado do pobre desgraçado estivesse a sua namorada com os olhos azuis mais belos do mundo, os seus doces olhares seriam perfeitamente inúteis se não chegasse o ortopédico.
O amor não é amor, se não presta o auxílio adequado.
Ora, de entre tantas coisas que permanecem incertas neste triste universo da toxicodependência, há uma coisa certa: a firmeza.
Esta é a única arma capaz de fazer emergir no drogado o sentido da responsabilidade. A alternativa a esta atitude é uma apenas: passado pouco tempo também a jovem entrará na espiral da droga.
Seria belo se não fosse verdade, mas também as estatísticas confirmam que as raparigas chegam à droga antes dos rapazes.
Porquê? Porque uma rapariga de quinze anos anda com um de dezassete; se ele se droga, ela, para o salvar com os seus lindos olhos azuis, segue-o.

O amor é exigente

Tudo o que se disse, embora possa parecer cruel, é, pelo contrário, imensamente respeitador da liber­dade e da responsabilidade dos outros: o amor é exigente.
Naturalmente que é preciso refutar o pressuposto de que um, apenas porque o professor de matemática o olhou de lado, é autorizado a drogar-se. A comise­ração e a desculpa fácil não são formas de amor.
«É difícil!» Certamente, mas quem disse que o amor é fácil?
Se, pelo contrário, o jovem decide cortar radical­mente com a droga, a jovem deverá apoiá-lo com o seu afecto.
Mas, cuidado. Nada de negociações! Um pouco do meu amor e um pouco da tua droga! Certas misturas são explosivas e acabam por destruir tudo!
Quando a manifestação é «amarga»
«Diante da escola, alguns indivíduos convi­daram-nos a não entrar, a fim de participarmos numa manifestação pela paz.
O dia estava maravilhoso e não havia grandes dúvidas: abaixo a escola, viva a paz. Porém, que desilusão! A maior parte dos meus companheiros meteu-se nos bares e nas salas de jogos. Eu encontrei-me no meio de uma multidão de pessoas a gritar «slogans» não meus, e nada pacíficos. Que desilusão! Eu amo a paz e acho que é o maior bem, mas não estou certa se contribui para a paz, faltando à escola.
Que se deve fazer nestes casos?».

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