Quando os pais me mandam à missa

«Os meus pais obrigam-me a ir à Missa todos os domingos, porque — dizem eles — devo ainda ser crismado e não querem ouvir as lamentações do pároco. O lindo é que os meus pais só vão à Missa quando o rei faz anos!
Acha justo que eles me obriguem a fazer uma coisa, que eles próprios não fazem? Acha justo que o pároco nos obrigue a nós, que ainda devemos ser crismados, a ir à Missa? É inútil que depois se lamente que, apenas feito o crisma, os jovens deixem de ir à igreja».

Esta carta faz-me recordar a história do juiz. Depois de ter escutado as razões do acusado, disse-lhe: «Tem razão». Escutou em seguida o acusador e disse-lhe: «Tem razão». O juiz contou o sucedido aos familiares. E o filho disse imediata­mente: «Mas, pai, como podem ter ambos razão?» O juiz: «Tens também tu razão!».
É, de facto, justo que, se te preparas para o crisma, participes na Missa dominical. De outro modo, que preparação existiria? Mas também não é justo «obrigar» alguém a ir à Missa, pois as pessoas devem optar livremente.
É justo que os pais eduquem os filhos a respeitar os compromissos.
Mas é discutível o facto de os pais obrigarem os filhos a fazer aquilo que eles próprios não fazem…
E agora que conclusão vamos tirar de tudo isto?

Raciocinemos um pouco

No estilo destas reflexões, que não querem distribuir pregações e receitas, mas pôr em evidência os problemas de modo que cada um escolha o caminho melhor, raciocinemos um pouco.
Meus caros, vivemos numa época de transição na qual não existem coisas bem claras e definidas.
Há cinquenta anos, ia-se à igreja sem discutir, porque todos iam. Era uma coisa normal. As crianças eram crismadas e comungavam aos seis anos, sem perceberem nada. Não interessava: compreenderiam mais tarde e, mesmo se não compreendessem, iriam atrás dos outros.
Depois da última guerra, a sociedade transfor­mou-se de um modo vertiginoso e as tradições, mesmo as religiosas, desapareceram. Passou-se das aldeias às cidades; dos campos à indústria; da família numerosa e «patriarcal» (comandada pelo pai) à pequena família com o pai e a mãe lado a lado; de uma sociedade fechada e sem informações, aos grandes meios de comunicação; de uma única maneira de ver as coisas, a tantos modos de ver quantas são as cabeças… Uma verdadeira revolução!
Também a Igreja está a procurar renovar-se e a passar das tradições às convicções. É um caminho difícil que também vos interessa a vós, jovens.
Para ser mais valorizado e percebido, o crisma passou a ser celebrado por volta dos 14 anos. A intenção é boa… Mas o jovem dessa idade — a idade em que tem um desejo louco de rejeitar tudo o que tem o sabor de imposição — não aceita tudo como uma criança de seis. E aqui é que está o problema.
Os jovens aceitam de boa-vontade o crisma — é uma ocasião para se encontrarem no centro das atenções e para receberem presentes dos padrinhos — mas não querem submeter-se às obrigações exigidas por uma preparação séria. O pároco insiste muito sobre coisas sérias, esquecendo-se que está a tratar com adolescentes despistados e não com adultos.
Porquê não enfrentar o problema de frente e dar o crisma apenas aos adultos que livremente o pedem? Seria lindo, mas não se pode! Lado a lado, vivem velhos de 90 e 70 anos, adultos de 50 e de 30, jovens de 25 e de 18, adolescentes de 13, e Jesus ensina-nos que é preciso respeitar as convicções e também as tradições de todos.

Um quebra-cabeças

Os pais, pelos seus motivos, são a favor do crisma e querem que o filho obedeça aos com­promissos derivados de tal empenho.
O pároco, pelos seus motivos, é evidentemente pelo crisma e quer que seja feita do melhor modo, e, portanto, exige preparação.
Os jovens, pelos seus motivos, aceitam de boa-vontade o crisma, mas não se querem submeter a obrigações pesadas para os seus ombros.
Quem tem razão? Todos um pouco. Mas teriam todos muita mais razão se cada qual estivesse um pouco mais atento aos outros.

Mas vós!

O crisma é-nos oferecido no momento do «segundo nascimento» (assim alguns chamam à vossa idade, devido às grandes e rápidas trans­formações), o tempo de fazer as perguntas que fazem crescer: Que quero ser? Creio em Jesus ou aban­dono-o? Permaneço na Igreja ou vou-me embora? Sigo os grandes valores do Evangelho ou conten­to-me com os da publicidade?
O crisma é o ponto de partida para vos tornardes protagonistas da vossa vida.
Nesta fase, não podeis subtrair-vos a obrigações, mesmo que exigentes.
Já passou o tempo de se fazer apenas o que agrada, e chegou a hora de fazer também o que é útil. Fazei as coisas seriamente, mesmo se vos custa. Far-vos-á crescer, e ajudar-vos-á a perceber o que é bem para vós. Os obstáculos estimulam, habituam a escolher, fazem amadurecer. Por outras palavras: fazei da necessidade virtude. Não vos arrependereis: o crisma, feito seriamente, é uma grande ocasião de crescimento.

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