Lectio divina: 32º Domingo Comum (ano C)

Temos ainda diante de nós a solenidade recente de Todos os Santos e a Comemoração dos Fiéis Defuntos.

Hoje continuamos a refletir sobre a vida e no que está para além dela, no valor do corpo e a sua relação com a alma, na vida além-túmulo. O Salmo 16 é um salmo de súplica, modelo de uma bela oração. O refrão centra-nos na temática deste dia: “Senhor, ficarei saciado, quando surgir a vossa glória” (ler Poema Plenitude). Deus é fonte de vida. Jesus fala de vida futura e ressurreição. Usa o argumento da sarça-ardente. “E que os mortos ressuscitam, até Moisés o deu a entender”. Trata-se de Abraão, Isaac e Jacob. Deus gera a vida. Nesta vida estão os vivos, os “recebedores da vida”, os que acreditam no Deus da vida, os que acreditam que Jesus ressuscitou e como Ele, também nós ressuscitaremos. Um bom domingo. Termino com a atitude de Santo Agostinho: Tenho um só coração e uma só alma voltados para Deus.
1. Introdução
O que haverá depois da morte? Temos ainda diante de nós a solenidade recente de Todos os Santos e a Comemoração dos Fiéis Defuntos. Urge uma reflexão sobre a vida e no que está para além dela, no valor do corpo e a sua relação com a alma, na vida além-túmulo. Ajuda-nos o tema central da primeira e terceira leitura, o da fé na ressurreição. Foi lenta a aparição desta realidade da ressurreição no AT. Aparece-nos, de uma forma clara, no martírio dos sete irmãos com a mãe. S. Paulo aponta-nos as dificuldades em seguir o caminho que nos leva à vida eterna.
2. 2 Macabeus 7, 1-2.9-14
2.1 Texto
Naqueles dias, foram presos sete irmãos, juntamente com a mãe, e o rei da Síria quis obrigá-los, à força de golpes de azorrague e de nervos de boi, a comer carne de porco proibida pela Lei judaica. Um deles tomou a palavra em nome de todos e falou assim ao rei: «Que pretendes perguntar e saber de nós? Estamos prontos para morrer, antes que violar a lei de nossos pais». Prestes a soltar o último suspiro, o segundo irmão disse: «Tu, malvado, pretendes arrancar-nos a vida presente, mas o Rei do universo ressuscitar-nos-á para a vida eterna, se morrermos fiéis às suas leis». Depois deste começaram a torturar o terceiro. Intimado a pôr fora a língua, apresentou-a sem demora e estendeu as mãos resolutamente, dizendo com nobre coragem: «Do Céu recebi estes membros e é por causa das suas leis que os desprezo, pois do Céu espero recebê-los de novo». O próprio rei e quantos o acompanhavam estavam admirados com a força de ânimo do jovem, que não fazia nenhum caso das torturas. Depois de executado este último, sujeitaram o quarto ao mesmo suplício. Quando estava para morrer, falou assim: «Vale a pena morrermos às mãos dos homens, quando temos a esperança em Deus de que Ele nos ressuscitará; mas tu, ó rei, não ressuscitarás para a vida».
2.2 Testemunhas na ressurreição
Temos diante de nós uma perseguição antijudaica, realizada por Antíoco IV Epifânio no ano 167 a. C. Trata-se de sete jovens, irmãos Macabeus, e sua mãe que se recusam a comer carne de porco. Nos seus martírios está explícita a verdade da ressurreição. Antes de morrer o segundo irmão proclama a sua convicção de “ressuscitar para uma vida eterna”. O terceiro fala da ressurreição do corpo. O quarto diz ao perseguidor que “não há de ressuscitar para a vida”. A ressurreição aparece-nos, não como sonho ou ilusão, mas como um caminho de esperança para todos os que dão a vida por amor.
3. Salmo 16 (17), 1.5-6.8b.15 (R. cf. 15b)
3.1 Fé na ressurreição
O Salmo 16 é um salmo de súplica. Fala-nos de um justo perseguido e inocente que pede a Deus vingança. A parte central é o momento em que o autor expressa a sua fé na ressurreição. “Senhor, mereça eu contemplar a vossa face e, ao despertar, saciar-me com a vossa imagem”. O refrão é de uma beleza ímpar: “Senhor, ficarei saciado, quando surgir a vossa glória”.
4. 2 Tessalonicenses 2, 16 – 3, 5
4.1 Texto
Irmãos: Jesus Cristo, nosso Senhor, e Deus, nosso Pai, que nos amou e nos deu, pela sua graça, eterna consolação e feliz esperança, confortem os vossos corações e os tornem firmes em toda a espécie de boas obras e palavras. Entretanto, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se propague rapidamente e seja glorificada, como acontece no meio de vós. Orai também, para que sejamos livres dos homens perversos e maus, pois nem todos têm fé. Mas o Senhor é fiel: Ele vos dará firmeza e vos guardará do Maligno. Quanto a vós, confiamos inteiramente no Senhor que cumpris e cumprireis o que vos mandamos. O Senhor dirija os vossos corações, para que amem a Deus e aguardem a Cristo com perseverança.
4.2 Oração de intercessão
Paulo reza pelos Tessalonicenses. Estavam a viver um tempo de descalabro sensacionalista, afastados dos deveres essenciais que Paulo lhes tinha ensinado: viver na fé e evangelizar. Na prática, Paulo pretende transmitir-lhes confiança contra os opositores à Palavra de Deus. Termina rezando: “O Senhor dirija os vossos corações, para que amem a Deus e aguardem a Cristo com perseverança”.
5. Lucas 20, 27.34-38
5.1 Texto
Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus alguns saduceus – que negam a ressurreição – e começaram a interrogá-l’O. Disse-lhes Jesus: Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento. Mas aqueles que forem dignos de tomar parte na vida futura e na ressurreição dos mortos, nem se casam nem se dão em casamento. Na verdade, já não podem morrer, pois são como os Anjos, e, porque nasceram da ressurreição, são filhos de Deus. E que os mortos ressuscitam, até Moisés o deu a entender no episódio da sarça-ardente, quando chama ao Senhor ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob’. Não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos».
5.2 Deus é fonte de vida
Jesus afirma, sem mais, a Sua fé na vida futura e na ressurreição. Usa o argumento da sarça-ardente. “E que os mortos ressuscitam, até Moisés o deu a entender”. Trata-se de Abraão, Isaac e Jacob. A ideia de vida percorre todo o Antigo Testamento, nos Salmos, nos Profetas, no livro da Sabedoria. Deus é fonte de vida. Deus gera a vida. Nesta vida estão os vivos, os “recebedores da vida”, os que acreditam no Deus da vida, os que acreditam que Jesus ressuscitou e como Ele, também nós ressuscitaremos.

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